Tempo. Passado. Presente. Futuro. Isto não é uma aula de Português, nem estamos a falar de tempos verbais. Trata-se, antes, de uma condição clínica, uma sensação de estagnação no presente, virada para o passado e sem sentido de futuro - a depressão.
Em algum momento da vida, toda a gente se pode perguntar: é tristeza ou depressão? É vontade de chorar ou depressão? Mas quem nunca chorou? A tristeza faz parte da condição humana, mas a depressão não é apenas acompanhada de tristeza – é quantitativamente maior e qualitativamente diferente. A depressão é uma perda de esperança, uma perda da alegria de viver.
Não é algo que está "na nossa cabeça", falta de força de vontade ou um sinal de fraqueza. Não acontece "só aos outros" e não está necessariamente relacionada com aquilo que se tem ou que se construiu. Ou seja, todos já ouvimos alguém dizer sobre outra pessoa: "O que mais pode querer alguém que tem realização profissional, família, uma aparência invejável e dinheiro?" Na realidade, há muitos e variados fatores que nos podem fazer sentir deprimidos mesmo quando achamos que "devíamos sentir-nos felizes".
Então, o que é afinal a depressão? Os 300 milhões de pessoas deprimidas no mundo sofrem da mesma coisa, com a mesma causa?
Vamos começar por pensar numa perna partida. Mas o que tem uma perna partida em comum com a depressão? Aparentemente, nada. Mas pode ser o ponto de partida se pensarmos na perda de liberdade. Com uma perna partida, a perda de liberdade de movimentos traduz-se, na depressão, numa perda de liberdade de pensar, com pensamentos focados apenas no negativo e uma menor capacidade de tomar decisões e de agir.
Depressão, do latim deprimere ‘pressionar para baixo’, representa uma das principais causas de incapacidade no mundo, e de diminuição de energia e falta de entusiasmo. Enquanto fenómeno complexo e multifacetado (ou seja, resultante da interação de fatores biológicos, ambientais, sociais e psicológicos), a depressão também encerra vários tempos verbais - vários sentidos, significados e vivências. É uma perturbação do humor com implicações negativas na forma como pensamos, sentimos e nos comportamos, afetando a nossa relação connosco, com os outros e com o mundo.

Mas a pergunta mantém-se: quais são alguns dos sintomas da depressão? O que a caracteriza?
Imaginemos uma pessoa que tem dificuldade em comer, ou que come mas não sente o sabor da comida. Um adulto que sai de casa todos os dias para trabalhar, mas que está sempre a pensar para si próprio: "Qual é o sentido disto tudo?" Pensemos em alguém que quer levantar-se de manhã, mas não consegue fugir à vontade de ficar na cama, seja para dormir, seja para evitar o sofrimento, o medo e a sensação avassaladora de desespero e falta de esperança.
A depressão caracteriza-se também por uma perda de interesse pelos hobbies e/ou insatisfação com atividades que antes davam prazer. O encontro de sexta-feira com os amigos já não é esperado nem vivido com entusiasmo. A incapacidade de sentir prazer junta-se ao pessimismo de um sentimento de inferioridade e baixa autoestima, e os pensamentos negativos invadem: "Porque sou um fracasso...", "Porque a culpa é minha...", "Porque não valho nada, não faço nada bem...", "Porque...".
Mas a pergunta mantém-se: quais são alguns dos sintomas da depressão? O que a caracteriza?
Imaginemos uma pessoa que tem dificuldade em comer, ou que come mas não sente o sabor da comida, uma pessoa que tenta trabalhar ou escrever um trabalho que tem de entregar, mas só consegue pensar para si própria: "Para quê?". Uma pessoa que tenta sair da cama de manhã, mas não consegue fugir à sua atração quase magnética... Seja para ficar acordada, numa luta constante para adormecer - à espera de alguma coisa. Ou para dormir. Dormir. Dormir. Ou melhor, para fugir ao sofrimento, ao medo, à sensação avassaladora de desespero e falta de esperança. Os hobbies e as atividades já não despertam qualquer interesse ou satisfação. Aquele fim de tarde de sexta-feira com os amigos já não é vivido com vontade e entusiasmo. E a incapacidade de sentir prazer e vontade de viver junta-se ao pessimismo de quem se sente inferior, de quem não tem amor-próprio: "Porque sou um fracasso", "Porque a culpa é minha", "Porque não presto, não faço nada bem".
A história desta pessoa imaginária (que pode ou não parecer-se com a história de alguns de nós) dá origem a vários sintomas que não devemos ignorar, mas antes considerar à luz da história individual e das circunstâncias de vida de cada pessoa:
- Tristeza, abatimento e sensação de vazio
- Perda de prazer e de interesse pelas atividades do dia a dia
- Alterações do apetite e do sono (insónia/hipersónia)
- Cansaço, fadiga e diminuição de energia
- Dificuldades de concentração, raciocínio e tomada de decisões
- Sentimentos de inutilidade/fracasso
- Sentimentos de culpa e autodesvalorização
- Isolamento e dificuldades relacionais
- Pensamentos, planos e/ou tentativas de suicídio
As pessoas com depressão apresentam muitos destes sintomas. Outras podem ter apenas alguns ou vários, consoante fatores como o género, a idade, a fase de desenvolvimento e a personalidade. Por exemplo, nos adolescentes, pode manifestar-se através de irritabilidade, sentimentos negativos de inferioridade e inutilidade, diminuição do rendimento escolar, raiva e sensação de incompreensão.
E quando não há sinais "evidentes" e "típicos" de depressão? E se a pessoa continuar a sorrir?
Imagina um palhaço que usa máscaras diferentes todos os dias – é a analogia perfeita para a depressão mascarada – a depressão sorridente. As formas atípicas de depressão levam a uma incapacidade de mostrar o que se sente, porque mostrá-lo significaria "desmoronar". Assim, a vida continua, a pessoa continua a trabalhar, a ir tomar café com os amigos às sextas-feiras, onde parece divertir-se. Continua a fingir, para si própria e para os outros. Depois de reprimir esta dor, o corpo tende a reagir. A dor e o sofrimento psicológicos tornam-se difíceis de processar e começam a manifestar-se em dificuldades em dormir, numa diminuição do rendimento no trabalho e, por fim, o sorriso começa a desaparecer.
Também pode acontecer o contrário, sobretudo em crianças e adolescentes, em que a agitação, a hiperatividade e outras perturbações do comportamento escondem um sofrimento interno.
Mas, perante a falta de esperança e de entusiasmo, o que se pode fazer? Como podemos lidar com a depressão?
Reconhecer que precisamos de ajuda e procurá-la. Reconhecer o sofrimento que estamos a viver nem sempre é fácil. Pedir ajuda pode ser visto como um sinal de "fraqueza" ou como ser um "peso" para os outros. Mas não é! É comum "seguir com a vida" porque "tem de ser" e porque, à primeira vista, "não adianta falar sobre isso". Às vezes, precisamos de tempo para perceber, ou de alguém que nos ajude a compreender. Quando a depressão se instala, está a dizer-nos que algo tem de mudar. Este é o primeiro passo - procurar ajuda! Um psicólogo pode ajudar-nos a dar sentido ao que sentimos, pensamos e à forma como agimos. Podemos encontrar este apoio na Ivory Therapy, que tem vários profissionais especializados prontos para nos ajudar a ultrapassar esta situação.
Não nos isolarmos! Encontrar formas de nos (re)ligarmos à família e aos amigos, porque ter o apoio de quem confiamos pode ajudar-nos a sentir melhor. Participar na comunidade e contribuir para uma rede de pessoas pode reforçar o nosso sentimento de pertença e ligação, trazendo esperança e sentido à vida.

A diferença entre difícil e impossível. Lidar com a depressão pode ser um processo desafiante e longo. No entanto, podemos dar pequenos (mas significativos) passos para nos irmos sentindo melhor. Adotar uma alimentação saudável, praticar atividade física (por exemplo, 30 minutos de caminhada por dia) e dedicar tempo a atividades de lazer de que gostamos (ou de que gostávamos), mesmo que, ao início, não nos apeteça ou pareça difícil. No fundo, as estratégias de autocuidado podem ter um papel importante na gestão dos sintomas da depressão e na promoção do bem-estar e da saúde psicológica. Difícil não é impossível!
Num mundo onde o estigma em torno da doença mental ainda existe, não nos esqueçamos de que ninguém escolhe estar doente. Tal como uma perna partida, a depressão também dói, mas, ao contrário de uma perna partida, que se vê rapidamente num raio-X, a depressão não se vê da mesma forma e é muitas vezes incompreendida. Vamos falar sobre isso! A nossa saúde importa! A nossa vida importa!
*A depressão pode contribuir para viver uma dor mental intolerável, sentir que somos um peso para os outros e não ter um sentimento de pertença, aumentando o risco de suicídio. Se nós ou alguém que conhecemos estiver em perigo imediato ou em risco de se magoar ou de suicídio, é importante saber que há apoio disponível e pessoas que podem ajudar. Merecemos apoio e não estamos sozinhos! Em caso de emergência, liga 112 (INEM). Em situações de crise, liga 808 24 24 24 (Serviço de Aconselhamento Psicológico da Linha SNS24).