Em artigos anteriores, falámos da importância de uma rede de apoio e da necessidade de combater a solidão para um maior bem-estar. Para combater a solidão, é essencial construir uma rede social que permita relações e conversas gratificantes e que dê resposta a várias necessidades—sociais, emocionais, físicas e outras que possam surgir.
Embora sejamos seres sociais, a verdade é que construir e manter uma rede de apoio ao longo do tempo pode ser desafiante. Neste artigo, vamos refletir sobre as diferentes partes do processo de criar e manter um sistema de apoio à saúde mental, uma a uma.
Antes de mais, o que entendemos por apoio?
Porque são importantes as redes de apoio? As redes de apoio são um fator de proteção crucial perante as dificuldades da vida e no combate à solidão. Os estudos mostram que ter uma rede de apoio forte e coesa nos permite enfrentar os desafios da vida de forma mais autónoma, o que também tem um impacto positivo na nossa autoestima.

É claro que os benefícios são muitos, mas a pergunta mantém-se: como criamos uma rede de apoio forte?
Construir uma rede de apoio à saúde mental pode ser desafiante, sobretudo se houver dificuldades sociais ou obstáculos em manter ligações devido a mudanças de vida, como a mudança para um novo local. Tendo isto em conta, é importante reconhecer que há vários aspetos a considerar para ultrapassar estes desafios:
- Ter uma visão alargada da nossa rede de apoio: Não existe uma única forma de receber apoio, nem uma definição universal do que constitui uma "rede de apoio". Mesmo que não tenhamos uma pessoa com quem partilhamos tudo, pode haver outras com quem possamos partilhar frustrações e ideias.
- Procurar pessoas que partilham os teus interesses: Se tivermos dificuldade em conhecer pessoas novas ou em sentir proximidade, devemos tentar procurar grupos alinhados com os nossos interesses. Ligarmo-nos a pessoas que partilham paixões ou hobbies semelhantes pode facilitar a construção de relações com significado.
- Procurar pessoas de confiança: Confiar em pessoas que nos transmitem conforto e confiança ajuda a evitar interações negativas. É importante partilhar os nossos pensamentos e sentimentos com quem nos faz sentir seguros.
- Desenvolver competências sociais: As interações sociais podem ser intimidantes, mas há formas de as tornar mais fáceis. Podemos começar por fazer perguntas à outra pessoa ou sugerir atividades para fazer em conjunto, dando à interação um propósito claro. Também podemos usar ferramentas que facilitam a conversa, como baralhos de perguntas pensados para estimular o diálogo.
- A rede de apoio não tem de se formar de forma orgânica: Podemos recorrer a comunidades de saúde mental, como grupos de dia, que se dedicam a trabalhar questões psicológicas e a promover o bem-estar. Estes grupos são normalmente orientados por profissionais de Psicologia ou de Psiquiatria.
- Proatividade e procura de apoio: Ao tomarmos a iniciativa de criar oportunidades sociais e de contactar os outros—seja como fonte de apoio, seja para pedir ajuda—tornamos a nossa rede de apoio uma parte regular da nossa vida, o que pode trazer mais satisfação.
Refletindo sobre este último ponto, é importante sublinhar que as relações são complexas e que encontrar alguém que dê o tipo de apoio de que precisamos pode ser desafiante. Então, como podemos usar a nossa rede de apoio de forma sustentável e satisfatória? A chave está em trabalhar as relações para que assentem numa comunicação aberta, vulnerável e honesta, com confiança mútua, disponibilidade e reciprocidade entre todos os envolvidos.

É importante lembrar que este processo é coconstruído por todos os envolvidos, resultando em redes de apoio que podem variar no número de membros, no tipo de apoio que oferecem, nos contextos em que funcionam e noutras características. O que mais importa é que, através desta rede, possamos pedir ajuda e, assim, alcançar uma maior sensação de bem-estar e saúde.
Se criar uma rede de apoio for particularmente desafiante, vale a pena pensar em procurar a ajuda de profissionais de psicologia—como os da Ivory Therapy—para explorar a raiz da dificuldade e desenvolver ferramentas e competências que não só ajudem a construir esta comunidade, como também reforcem a nossa autonomia.
Por fim, encontrar apoio para a saúde mental é um processo para a vida. Pode começar pela exploração dos pontos referidos acima e vai evoluir à medida que nós e o mundo à nossa volta mudamos. O essencial é termos um espaço seguro dentro da nossa comunidade.